domingo, 23 de março de 2008

DILEMA PEITORAL


É certo que o ser humano vive, em grande maioria, em função do seu estado emocional. Neste último feriado familiar, que falamos da paixão de cristo, passei sozinho, sem comer, fumando como um facínora elegante, nu e preguiçoso.
Minha casa tornou-se um cordão de isolamento, onde idéias palpitavam na mente querendo sair, todavia minha solidão e meu destempero emocional apareceram. Obtive então a certeza do que minha terapeuta disse em última consulta: “Leandro, tem certeza que você quer colocar sua vida baseada em suas emoções”?

A opção de colocar o meu pathos de lado para não sacrificar a minha possível produção é uma idéia geniosa, geniosa sim, afinal tudo que eu produzo é baseado a partir do meu descontrole emocional, e dele é que vem as idéias que eu presumo a excelência naquele momento. Se estou sozinho e triste, possivelmente barganharei escritos de comédia, ou quem sabe um drama clássico faria parte do meu leque de opções. Acredito que agora, e hoje. Meu emocional ainda não está em perfeito estado, mas ele já esteve? Neste fim de semana a idéia prática da minha vida era ser inconsequente e viver emoções fortes, a idéia não praticou a ação. Ou eu não tenha tido gana para respeitar minhas idéias, e estas ficaram apenas no mundo perfeito.
Assim, me coloco a pensar o que é ser um pós adolescente no mundo de hoje, e para mim isso é muito latente, tenho 24 anos, ainda faço faculdade e tenho problemas com meus pais. Ou seja, isso tudo de solidão?Como assim solidão? Que tipo? Por que? Não entendo, eu realmente hoje passei a me odiar, odiar o meu cabelo, minha voz, minhas roupas, meus sapatos, minha grafia e minha escrita, meu suor, meu hálito, minha imagem e minhas fotos. Muito embora eu não tenha mudado nenhuma dessas coisas odiosas eu entendi com esse ódio o quanto que eu perco tempo com meu emocional vadio e eloquente. Desse ódio retirei forças para fazer o que era preciso, e para fazer o que não era preciso também. De todo esse ódio resolvi ressurgir catarticamente para um novo patamar, o do que aceita o seu emocional, e o lixo que eu estou não deve interferir na minha vida social e profissional. O nosso lixo pessoal deve ficar com a gente, como pilhas e baterias não recicláveis. Nosso emocional é nosso lixo químico, infeccioso, perigoso e cruel.

Mas não seria do emocional que sairam músicas como "Beautiful", "Because of You" e Can't take that away from me. Essas belas canções são a prova que o lixo emocional serve para algo.

Não sei se algum dia conseguirei conforto para esse dilema peitoral, não sei se há saída para o feto não fecundado da tranquilidade orgânica e mental.
Sei e apenas sei que isso tem idas e vindas, encontros e desencontros, tem beijos, tem sarros, tem paixão. Eu sei que no fim das contas isso tudo tem haver com o diabo do coração vermelho: o amor.

2 comentários:

Akinol disse...

See here or here

Mari Alvarez disse...

Baby, sua vida é novela mexicana...
Make fun of it.