Terça-feira, 7 de Julho de 2009

contínuo




Uma vontade enorme de chorar


está tão frio


e não adianta


nem sei porque


um cansaço sem fim


uma dor que não pára


não pára


e não perdi ninguém


não briguei


não me dei mal essa semana.


Mas tô assim... Parece que me falta algo.


E a vontade fica, lateja, setencia meu dia


E batendo no canto da cabeça uma idéia


fixa


que não me larga


mas não corre


não anda


tá presa


não sei o que faço.


penso, penso


e não desisto.


Mas o pior é que eu nem sei o porque.


E contínuo,


continuo


com uma vontade enorme de chorar.

Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

Moacyr Goes: Teatro e vanguarda


Moacyr Goes: Diretor de teatro e cineasta




Rio - O teatro sempre evoluiu puxado pelo trabalho de grupos e companhias. Ao longo da história, a dramaturgia, os atores e o espetáculo se desenvolveram pela vanguarda do trabalho em grupo. Shakespeare teve sua companhia e sem ela dificilmente teria escrito tanto e tão bem, pois é no exercício contínuo que é possível aperfeiçoar a técnica e sofisticar a elaboração temática. Molière teve seu grupo, assim como Brecht, Stanislavski e outros que mudaram o teatro moderno.
Por aqui, foram as companhias estáveis que também fundaram o moderno teatro brasileiro, e os grupos avançaram na invenção de uma cena contemporânea. Numa cidade como o Rio de Janeiro, no panorama teatral devem conviver grupos profissionais estáveis e produções comerciais.
E como isso se dá? Através do reconhecimento pelo poder público da importância do trabalho de longo prazo dos grupos e da necessidade de sua sustentação.
A produção dos grupos e companhias tem outra referência da comercial: a investigação de linguagem e a abordagem mais profunda de suas temáticas. Isso, sem prazo longo, é impossível, porque seu modo de produção não interessa ao mercado comercial.
Na nossa realidade, os grupos e as produções comerciais se embolam na luta por patrocínios e espaços. Por isso, é muito importante que as políticas públicas reconheçam as especificidades e criem mecanismos diferenciados.
Essa é uma sugestão que faço tanto a Adriana Rates quanto a Jandira Fegalli, secretárias de cultura do estado e do município. E creio que ambas sabem disso. O que não sei é se seus orçamentos dão para tal empreitada.



http://odia.terra.com.br/portal/conexaoleitor/html/2009/6/moacyr_goes_teatro_e_vanguarda_15973.html

Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

CHATICE




De tudo que posso crer,

creio menos a cada dia nas pessoas

não são todas

mas não confio...

lero, lero

faço que olho pra cima

e ignoro

sorrisos amarelos

só bobagens

traduzo um pouco

percebo

caio fora

tanta gente chata



Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

Pathos


O que em nome da paixão somos capazes?


de quem falamos ? mulheres, rapazes?


solitários, enfermos


apaixonados, cometem palavras vis


em nome do que?


toda paixão pode ser prejudicial


a mim, a ti.


E onde fica o resto?


é , resto do mundo? Fica fora.


Fica fora do meu umbigo?



ps.: Cada ser homem, deve entender o que lê diante somente do que está escrito.

Quinta-feira, 25 de Junho de 2009

A CURA


Havia um homem de poucos gestos que estava por aí

um pouco acabado

transtornado pelos fatos da vida

cruéis.

Um homem revoltado que falava manso,

gesto tão pequeno.

Um homem , que andava lento,

que dobrava o olho só de pensar na dor

sofria só de ouvir algumas palavras amargas.

Mas seu medo não funcionou.

contrariado por mais um advento do destino

descobriu que não há do que se precaver

descobriu que o problema do mundo é o homem

o problema do mundo é realmente as ações, as palavras,

ah as palavras.

as dissimulações

as mentiras.

Mas houve uma noite

de pouco sono

com letras, ações e pequenos gestos.

sutis.

Ele descobriu que se curou.

se curvou diante de seu incrível crescimento

teve certeza!

Absoluta.

Se amou mais uma vez. e mais e mais.

Com suas pontas dos dedos se descobriu mais uma vez

se olhou no espelho e sorriu.

adormeceu e acordou muito melhor!




Sexta-feira, 19 de Junho de 2009

CARTA - RESPOSTA




Sabe qual é o problema?


é a beleza.


é toda a maneira com que fala,


que traduz os anseios


em que me olha


o jeito que diz baixinho


que namora


minha doçura se esvai por medo.


paura de causar má impressão


fico pensando em ligar


falar que tô com saudade


de dizer que quero ver


de ver e dizer que quero tudo


sabe qual é o problema?


que eu sou um chato!


tenho medo de ficar mais


pois sei que vou perder a cabeça


ah , eu vou... por que é bom demais pra ser verdade


prometo que serei mais doce.










Quinta-feira, 18 de Junho de 2009

OBRIGAÇÃO


Tenho uma velha obrigação que não me larga
Não é regra, não ensangüenta
É sempre na hora de inventar ...
To louco pra escrever, mas o que?
Não sei.... .... .... breve gesto de silêncio
- pausa dramática –
Um olho esquerdo de alguém arregala-se, alarga-se o sorriso
Sobre-finge(sic) espanto e fala com impostação:
- E por que não escreveria?
A alma é muda e imoral
E as mãos?
Trêmulas e loucas
Se servem de imediatismo químico e se propõem á tinta
Entretanto tanta força não há!
Vai, escreva dadaísta dos quintos!
Me ponho.
inferno
Mas está sem nexo.
n-e-x-o
- pausa dramática –
Observo a luz
Quero fazer filme. O olhar do cineasta... blá... blá.
A perna esquerda balança, com direito a um generoso Souza cruz
Me arrebento dentro, olho pra fora
Descubro umas palavras:
- porra, sinto como fosse explodir de desejo...
Mas a dúvida invade e já me faz chorar há dias!
Me cego talvez de burrice
Intolerância muda de toda minha castidade inútil.
Me infernizo com toda a minha parafernália catártica de controle sentimental.
Me pego com a mão no sexo, sentado à direita do senhor todo poderoso: CPU
Cú. Não entendo, de tudo que é criativo que penso. Nada- escrevo.

Segunda-feira, 15 de Junho de 2009

sensação esquisita


Hoje eu acordei diferente

meio intransigente com o tempo.

rio. verbo rir.

ir a pé, caminhando e pensar

De onde surgiu?

Eu ainda não acredito.

Eu ainda acho que é bom demais pra ser verdade.




Terça-feira, 26 de Maio de 2009

Musical traz aos palcos capixabas o glamour dos cabarés






O Grupo Empório de Teatro volta aos palcos capixabas com o novo espetáculo “Boulevard, 83”. Trata-se de um musical que faz a releitura plástica e estética de cabarés de várias épocas. A idéia da montagem surgiu com bases no glamour da década de 30 do século passado, mas movimenta-se por mais cinco décadas: de 1890 a 1940.
A trama se dá em torno da história de François Jocker e Joe Jocker, proprietários do endereço da casa de espetáculos mais antigas da Rua Boulevard, situada em New Paris City (um lugar híbrido entre Paris e Nova York).
Após a morte de François Jocker, que aparentemente era rico, é feita a leitura do testamento e os artistas que trabalhavam e moravam na casa descobrem que ele, na verdade, estava falido.
Com a casa hipotecada, todos passam a temer uma ordem de despejo. Para solucionar o problema, os artistas se unem e resolvem montar um show de reabertura do Boulevard e tentar conseguir oitenta e três mil "Francos Dolados" para quitar os títulos da hipoteca. Porém, ninguém contava que a maior cafetina da cidade, Divine Lemitré, em parceria com o maior gângster da Califórnia, Jam Montola, faria de tudo para conseguir ficar com a casa e transformá-la no maior bordel de New Paris City.
“Boulevard, 83” transita por diversas escolas teatrais, mas concentra-se principalmente no realismo fantástico e na comédia bufa, chegando a uma mistura excêntrica de gêneros.
A pesquisa musical ficou por conta de Elenísio Rodrigues que apropriou-se do erudito, jazz, blues e ragtime para compor 12 músicas em parceria com o diretor e ator Leandro Bacellar.
Com um figurino rico em rendas, plumas, meias arrastão, entre outros adereços, o elenco coloca todo o seu vigor em cena com marcações fortes e sensuais. A produção, que levou quase dois anos para ficar pronta, conta com uma equipe de aproximadamente 70 profissionais.


Ficha Técnica
Elenco: Allan Toni, Dayanne Lopes, Danielle Pansini, Diego Carneiro, Josimar Teixeira, Kalina Aguiar, Leandro Bacellar, Luana Eva, Luciene Camargo, Ludmila Porto, Mell Nascimento, Marcos Luppi, Nívia Carla, Stace Mayka e Werlesson Grassi.
Dramaturgia, encenação e espaço cênico : Leandro Bacellar
Direção musical e composição: Elenísio Rodrigues
Composições musicais: Elenísio Rodrigues e Leandro Bacellar
Direção de produção: Luana Eva
Direção de arte: Kênia Lyra
Coreografias: Tadeu Schneider
Preparação de canto: Patrick do Val
Iluminação: Thiago Sales - Overlan Marques
Figurino: Samira Alcântara e Luana Eva
Produção fotográfica: Jove Fagundes
Orientador dança de salão: Teresa Loofredo
Pianista: Elenísio Rodrigues

Serviço
Pré-estréia: Teatro Marista/ 31 de maio/ às 20h
Rua Antônio Ataíde, nº879. Centro - Vila Velha
Temporada: 06, 07,13,14, 20,21,27 e 28 de junho - Teatro do Sesi
Rua Tupinambás s/nº . Jardim da Penha – Vitória.
Horário: 20h
Duração: 120 minutos
Classificação: 16 anos
Valor: R$20 (inteira)/ R$10 (meia)

Assessoria de Imprensa
Elayne Batista - M3 Comunicação
(27) 9848 9901/ 3181 2922


video


(FINALMENTE MEU FILHO NASCEU)

Quinta-feira, 30 de Abril de 2009

A DESISTÊNCIA – A VIDA NORMAL – UMA CONVERSA


Há de certo uma maneira
Única?
A desistência /e/ou/ insistência
Não se insiste no que não está ao alcance
Desiste-se quando simplesmente perde-se a importância
- E é importante?
Sim, é claro que é.
E porque desistir?
- Porque não vale a pena. E o que significa isso? Não compreendo! (um aspirante de gestos moderados questiona)
- Significa meu caro (responde um sábio sem cabeça) que se não tem valor, porque dispender, porque agregar, por que pagar por isso?
- Mas te afeta?
- É claro que afeta, ó meu Deus, menino burro!
- Então porque desistir, não entendo a sua teimosia velha?
Não é necessário insistir. Não é preciso porque o querer é invólucro, a vontade é onipotente. Não se obriga alguém ou algo a nada. Não se escolhe uma coisa a partir dos desejos do outro... (o sábio continua após uma longa pausa) Pois a vida é cheia de caminhos. Tortos, escuros e as vezes, tediosos. A melhor saga é aquela que deságua no aprendizado, na evolução. A alma pura de bobagens e pequenas fantasias bestas. A vida toma novos rumos e é claro que há melhores... Novas decisões. E tudo deriva da resposta do outro. Da concórdia. Do abraço de dois ideais.
- E não se simula. Descobre. Tenho pena de quem não amadurece, de quem não cresce.
- E por quê? (novamente o aprendiz pergunta)
- Porque não vê! Ainda não enxerga direito! E tenho pena? Não, na verdade não tenho. Pois justamente a vida é quem ensina e traduz as poucas insígnias. (velho ainda responde) Não sinto dor forte. Sabia? Já passou, ou me acostumei a ela.
(O aspirante já entristecido e delicadamente depressivo, com voz engasgada pergunta) - E qual é a pior dor, mestre?
- É a manipulação! Não, não é isso! Anda menino, apague o que escreveu! Anote em seu papel a palavra: traição! Com cedilha e til, em pleno português, isso!
E o velho continua a divagar no meio do caminho a beira do mar, rindo e fazendo gira: Um dia, as coisas clarearão, e tudo será exposto, as pequenas loucuras, os reais motivos. Haverá a saudade, a falta de palavras, e principalmente, a minha falta. Pois meu caminho hoje, já é curto, não estarei mais aqui. Quando as coisas se resolverem no tempo que julga necessário, já terei partido. E morto, metafórico ou não, agradecerei o tempo que julga perdido...