quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

O GRANDE VISLUMBRE







Dentro do que entendo como arte contemporânea, fica difícil causar uma emoção estética nos espectadores ávidos por uma briga "in live" ou de um acidente terrível e cheio de labaredas.

A arte está imóvel, estática. Pois a vanguarda é a guerra. Civil, ou sem balas. Guerra de travesseiros no horário nobre... Fica difícil de competir!

Durante muito tempo a contemplação esteve voltada para o prazer e entendimento do belo. E hoje, o que a contemplação é? A arte é mesmo contemplação? Interação, alguns dizem! Não sei. Acho que a arte é só... arte. Acho que está se repetindo com medo de deixar de ser ela mesma. Acho que se revisita para buscar suas origens e seus porquês. Acho que a arte é uma menina levada que vai e vem na sua Terra do Nunca, vivendo paradigmas.

Mas agora sem metáforas:

O grande vislumbre da arte é sair da epopéia do mesmo. Da intranqüilidade dos dias fáceis, e do costume dos difíceis. O GRANDE VISLUMBRE é a novidade do velho.
É achar o limiar entre o perdido e o extremamente utilizado, é agradar a gregos e troianos, é falar várias línguas, ser globalizado. Ser tecnológico e rústico. Ser atlético e exótico.
Encontrar a importância e o falido papel de modificador social. Acredito que o grande vislumbre é a arte existir, ser pura, honesta, digna e eloquente. Fazer parte da vida das pessoas um pequeno momento ao menos. Ser verbal e visual. Ser envolvente. Seduzir pequenos e grandes olhos, dar paladar a boca, suor ao corpo e envergonhar os tímidos... Arte serve para tudo. E dentro da contemporaneidade isso é um vislumbre... Sim! É! Realizar uma obra com alguma relevância, que cause pequenos e tímidos suspiros numa platéia desinteressada é árduo, sôfrego. A arte estava preparada para ser apreciada por vizinhos, por primos, irmãos e parentes dela. Certo, hoje isso se chama público alvo.

De todas as minhas certezas uma é clara: para coexistir com um “11 de setembro”, “estado paralelo”, “Big Brother” é preciso que o artista tenha o vislumbre de causar emoção estética dosando o grau de espetacularização necessária para sua obra.

Então, guerreiro(a), eu sou vislumbrado!

2 comentários:

Hóspede Póstumo disse...

Acho difícil de competir com este sentimento artístico:

"Para ser honesta, eu não chego a pensar que vendo milhões de discos, que faço tanto sucesso... Eu sou uma pessoa normal! Aliás, o que eu escrevo é muito pessoal, passa as emoções que eu vivi e, exatamente por serem experiências comuns, é que acho que as pessoas se identificam com as letras. Sou como a garota que vai ao meu show, tenho os mesmos sentimentos que ela." (Alanis Morissette)

Conciliar a fama na arte vinculada ao fato de que existe sentimentos reais dentro do artista, é uma questão importante a ser guardada e preservada. E faz bem a saúde.

Stace disse...

heuehuheuhe, adorei esse!bjobjo