quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Estrada


Voltas e mais voltas reta contínua duas faixas mão dupla seta seta pisca alerta corre freia conversa.
Curva corpo entorta desce sobe avança brusca freia alavanca primeira segunta terceira chega volta mesma coisa tudo igual volta é isso a vida?

quinta-feira, 7 de outubro de 2010


pra cima
hã?
abaixo e olho por cima do ombro esquerdo
tento pensar em como seria tudo se eu tivesse
meta
objeto a ser perseguido
qual é o plano?
hã?
folheio páginas amarelas
vermelhas
azuis
brancas pautadas
só vejo inferno
luto.
só vejo caminhões
de areia
sem placa.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

quando você vai
só fica a ausência
surpresa
apoteose
paetês e brilho
memória,
não, não há risco
ultrapassagem
mas
dúvida
não.
nego. não nego
sim
não nego
sopro respiro ofego repito despero grito sofro ungido perdido...
sintoma
não nego

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Está tudo tão...
calmo?
Tenho certeza de que...
confusão será agora
antes tarde do que nunca
penso.
minhas unhas tremem
é delicado
um relicário se abrirá
é tão...
estranho?
platônico
mania de viver o que não acontece
desfibrilo um fato que não é
ou, será?
espero?
sorrio?
fico sério?
conto as palavras para parecer inteligente?
faço charme com a boca?
só escuto?
é tão...
subjetivo?
não mastigo?
não penteio o cabelo?
falo baixo?
apuro o paladar?
acuso?
é tão...
bonito!
será?

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Está tudo certo
os carros andam
ainda há sol
a lua aparece
a maré sobe, desce
as mentiras são contadas o tempo todo
a métrica é morta
por mim
cada centímetro gota de saliva é jogada fora
para o ralo.
os sabores são sentidos
a brisa bate no cabelo da jovem senhora
alguém morre atropelado
os parques de diversões provocam gritos e risadas
vômitos são disparados
casamentos feitos e desfeitos
a agonia dos transplantes são mantidas
as esperas em filas
os lucros dos bancos
a revolta dos países colonizados
a memória de bandidos são preservadas
a corruptibilidade continua moeda
tudo invariavelmente não muda
sempre parte das três cores primárias.
Mantendo o preto e o branco como valores
sempre
via de regra
ventania dentro do meu corpo ecoa dá voltas mas não vaza nada deste receptáculo incólume fecho todas minhas ânsias e desejos numa agonia profunda que requer sanidade para manter me vivo a poesia execreda de meus pés e as cores vivas que saem da minha boca colorem a profundeza que meus olhos não podem mais enxergar a doença me toma por todas as partes o ódio transtorna meu paladar que só sente o gosto férrido do sangue que escorre pelo queixo até tocar a barriga quando fico na horizontal onde olho por meio das paredes respingadas o que realmentente não fiz tudo se esvai diante da vontade plácida de rever o que exatamente eu não tive coragem de realizar e se me permito ao erro persigo não obstante da reação e descubro que mesmo que possa fazer qualquer coisa mesmo que o destino me deixe prostrado em relação ao futuro entendo finalmente que só me fodo

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Hoje eu choro por dentro
é seco
choro sem parar
penso que
não tem jeito
não sei
não sei
eu só tento
acordo e sei que respiro
mais um dia
não sei
um dialeto incolor
franco
é seco
seco.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Você não me entende


Você não me entende.
Não me entende.
Mesmo quando digo que é amor.
Você quer se levantar
Você não me entende
não consegue compreender a força
o poder
Só se importa com o tic e tac
com a bomba relógio
o pulsar das coisas.
Como, consegue ser tão frio?
Ser tão permanente.
Imutável.
Sou eu mesmo que te digo.
teu dono.
Meus desejos, o incêndio que quero provocar
só mais uma vez tentarei
de me colocar em suas mãos
entenda o que meus olhos tem a dizer
Mas você não me entende.
Não.
Eu preciso que você me escute.
Me veja sorrindo
Não seja tolo, coração.
Me diga porque.
Eu não consigo dizer
Não me entende, deixa.
Você não liga.
Só não pare de bater, você é o único que eu tenho.