sábado, 14 de março de 2009

PÂNICO


O meu medo é das pessoas.

Más. Todas elas.

todo perigo há.

Pondera.

Remédio utilizado para tratamento de Sindrome do Pânico.






domingo, 8 de março de 2009

AFAZIA


Na fantasia do nada

o todo é elaborado

do nada em afazia

É construído do topo

saídas.

com medo retorno

de nada resolve

e não consigo

fazer nada.

Sento na calçada

canto uma música

que de nada fala

De tanto falar nada

escrevo, escrevo

nada.



terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

O dedo espatulado suspendendo as avencas.



Havia Diminutas Fileiras de Rubis.

Havia um homem bem dotado, rico.

Podre de rico.

Era bonito, um traço parecido com o Conrad Nagel.

Instável como o ar, ele era doce e sutil como um... um...

Um animal qualquer.

Ele era esperto e preferia caçar a noite

não sabia muito o que queria por isso metia-se em multidões.

Tinha má fama, uma fama linda.

Corria léguas e andava a relinchos com cavalos brancos , morenos e às vezes negros.

Havia diminutas fileiras de rubis em seus olhos, quando deparava-se com seres de incontestável beleza


seu dedo espatulado suspendendo as avencas

era notícia.

Havia brilho diamântico (sic) em seu corpo... Até que tudo parou.

Nada.

Passou a não brilhar, a não procurar, a não ser , a não ter , a não usar, a não beijar.

E num sonho épico... De última hora de sono.

Num Giro intenso

Heróico

epopéico

Foi encontrado por aquele que o deixou de quatro

de quatro as sete esperando,

Era lindo, tinha no olho diminutas fileiras de rubis...

Choraram e tiveram um encontro mítico, quase inacreditável.

Despediram-se... Depois de intensos encontros diários,

Dividiram todo ouro , louros e flâmulas pontiagudas (sic)

E acabou. Não encontraram outro momento tão plácido...

... os dois morreram - morreram mesmo

de saudade.




sábado, 14 de fevereiro de 2009

Pretérito


Ofegante

diz baixo

que não quer

inspira - solta

fazendo barulho

finge não querer

quando vê

já está

ali

fazendo parte

stop (ruído) stop

despois que goza

para.



À NOITE


Por mais que você seja tão imperfeito
E por mais que pouco dure
Tudo é eterno.
A noite te faz tão puro
E perto de você
O tempo parece não passar
Por mais que você finja não saber.

Apetite


Hoje nada do que escrevo tem sabor.
Por isso como.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

* Boulevard 83 *

Boulevard, 83, é o endereço da casa de espetáculos mais antiga da Rua Boulevard, situada em New Paris City (um lugar híbrido entre Paris e Nova York). Neste Cabaré, a falência vira uma realidade após a crise mundial em 1929. Os artistas se vêem diante de uma decisiva situação: abandonar o Boulevard em três dias e fechar a casa. Essa notícia gera inquietação destes cantores e dançarinos, que em conjunto, decidem montar um show que a cidade jamais assistira. Acreditam que é possível a estréia de um espetáculo completo em apenas três dias, usando toda a criatividade que os torna artistas. Eles só não contavam que um gangster perigoso, junto à cortesã mais famosa daquelas bandas pretendecomprar o cabaré a qualquer custo e transformá-lo no maior bordel de New Paris City para servir de esconderijo aos seus comparsas e álibi aos seus crimes.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

O GRANDE VISLUMBRE







Dentro do que entendo como arte contemporânea, fica difícil causar uma emoção estética nos espectadores ávidos por uma briga "in live" ou de um acidente terrível e cheio de labaredas.

A arte está imóvel, estática. Pois a vanguarda é a guerra. Civil, ou sem balas. Guerra de travesseiros no horário nobre... Fica difícil de competir!

Durante muito tempo a contemplação esteve voltada para o prazer e entendimento do belo. E hoje, o que a contemplação é? A arte é mesmo contemplação? Interação, alguns dizem! Não sei. Acho que a arte é só... arte. Acho que está se repetindo com medo de deixar de ser ela mesma. Acho que se revisita para buscar suas origens e seus porquês. Acho que a arte é uma menina levada que vai e vem na sua Terra do Nunca, vivendo paradigmas.

Mas agora sem metáforas:

O grande vislumbre da arte é sair da epopéia do mesmo. Da intranqüilidade dos dias fáceis, e do costume dos difíceis. O GRANDE VISLUMBRE é a novidade do velho.
É achar o limiar entre o perdido e o extremamente utilizado, é agradar a gregos e troianos, é falar várias línguas, ser globalizado. Ser tecnológico e rústico. Ser atlético e exótico.
Encontrar a importância e o falido papel de modificador social. Acredito que o grande vislumbre é a arte existir, ser pura, honesta, digna e eloquente. Fazer parte da vida das pessoas um pequeno momento ao menos. Ser verbal e visual. Ser envolvente. Seduzir pequenos e grandes olhos, dar paladar a boca, suor ao corpo e envergonhar os tímidos... Arte serve para tudo. E dentro da contemporaneidade isso é um vislumbre... Sim! É! Realizar uma obra com alguma relevância, que cause pequenos e tímidos suspiros numa platéia desinteressada é árduo, sôfrego. A arte estava preparada para ser apreciada por vizinhos, por primos, irmãos e parentes dela. Certo, hoje isso se chama público alvo.

De todas as minhas certezas uma é clara: para coexistir com um “11 de setembro”, “estado paralelo”, “Big Brother” é preciso que o artista tenha o vislumbre de causar emoção estética dosando o grau de espetacularização necessária para sua obra.

Então, guerreiro(a), eu sou vislumbrado!

domingo, 25 de janeiro de 2009

O Ator


Me impressiona as características do ator contemporâneo. Esse que está aí nos dias de hoje, de ontem etc.

Difícil. Não sabem o que estão fazendo. Perdidos na ribalta, não conhecem a sua profissão. Ou por serem jovens, rebeldes sem calças de baixo, vivem achando que tem tudo na mente. Mas só as idéias são perfeitas, como todo ideal.

Antes, eu me deparava com velhas frases de veteranos, dizendo que o Teatro era isso ou aquilo, em voz alta... Eu ouvia e pensava que eles estavam com medo de perder o lugar... Mas vejo que se incomodam mesmo em não perder o lugar. Ou se perderem para quem não merece, ou não lutam para tê-lo. Certo que há maldade em alguns. Mas há mais burrice e preguiça dos novatos, dos meus contemporâneos. Vejo um bando desgovernado querendo uma agitação. Vejo um bando esfomeado querendo arte e sem ação. Vejo falta de estrutura, em meio à maconha e à dispersão. Vejo atitudes panfletárias. Observo filósofos sem futuro que na onda da sorte obtém um mínimo trabalho e pensam estar prontos para um mundo talentoso, forte e coeso dos que já conquistaram a fórmula.

E a fórmula é o prazer. É poder ao final de uma hora e meia ao menos, agradecer aos aplausos e saber que você nasceu, viveu e morreu durante aquele tempo. Saber que você em pouco tempo pôde ser brilhante, e ser brilhante no fator de brilho mesmo, de luz e não de grande “dom” ou “talento”. Por favor, ator... “dom” não existe.

Não existe paciência. O teatro é cruel. Inclusive com esses “meias-taças” que não entendem já na velhice que o teatro é jovem, fresco... Mesmo feito por mais de 1000 anos.

Existe um teatro real. Uma vida dedicada a arte. Onde apenas a dedicação e o entendimento podem fazer parte. É preciso uma luta para o teatro se locomover. É preciso compromisso, agilidade e honra. É preciso fazer o que for, e não se enganar, assaltar a sorte.
É preciso violentamente rugir e conseguir o seu espaço, trabalhando! Aparecendo, formulando idéias, vendendo idéias, fazendo a platéia se apaixonar.

O público está morrendo... E não há sementes para plantar. Os atores não gostam de teatro. Porque não o entendem. Os atores não estão sabendo fazer teatro, não há novidade. Não há a reinvenção.

Vamos meninos, vamos. Se juntem, não esperem. Juntem os seus e formem grupos, unam idéias, proponham coisas, reinventem, se promovam. Se aprimorem e descubram como fazer.

Façam!

E parem de discutir com quem sabe mais.

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É impossível e por isso não vou chorar.


E por mais que seja assim, seco o que não resta a secar.


Compreendo e molho o seco lenço de secas lágrimas, e volto.


A secar.